E ai amigo boleiro, você deve saber que o futebol é um esporte que surgiu há mais de um século e, naturalmente, sofreu alterações no decorrer dos anos. Um princípio tático fundamental que mudou bastante foi a contenção. 

Dentro da lógica de jogo, se o outro time está com a bola, a sua equipe precisa recuperá-la, certo? Como contemos o adversário? Um exemplo é o desarme ou diminuir espaço/tempo de ação do portador da bola. Essa é uma maneira de impedir a progressão do adversário, proteger a baliza e recuperar a posse da bola. 

Uma boa contenção utiliza o espaço e o tempo à seu favor. Não é simples de ser realizada mas com prática e disciplina, é possível aprimorar. Aqui nesse post, você vai aprender sobre como funciona a contenção e dicas de como executá-la bem. 

Vamos lá? 

Entendendo a contenção: olhando a história 

A contenção é a pressão que o jogador faz para recuperar a bola do adversário. Em outras palavras, é o ato de impedir que o adversário progrida em direção ao gol por meio de um passo ou um drible. Ao recuperar a posse da bola, você pode atacar novamente. Simples, não é? Nem tanto.

 

Para compreender totalmente como funciona a contenção, vamos voltar no tempo. Se observarmos um jogo de futebol da década de 50, 60 ou até 70, veremos que a pressão no portador da bola era relativamente pequena comparada com hoje. 

Naquela época, apenas quando o adversário chegava próximo a sua área que a pressão aumentava. Assim, os atacantes e meias ofensivos ajudavam muito pouco na marcação, era uma função destinada aos volantes e defensores. Esse fato por si só afetava toda a dinâmica do jogo e isso mudou bastante no decorrer dos anos. 

Contenção no futebol moderno: como funciona? 

O Ajax, nos anos 70, pode ser considerado como o primeiro time que começou a pressionar nas zonas mais altas do campo. Isso refletiu-se no estilo de jogo da famosa da seleção da Holanda em 1974, apelidada de Laranja Mecânica devido a revolução inovadora no estilo de jogo. 

O Milan em 89 também foi destaque nesse tipo de atuação. No entanto, essa maneira de jogar bola apenas se consagrou no  futebol em 93, quando a FIFA alterou a regra proibindo que o goleiro pegasse a bola com a mão caso recuada por um companheiro de equipe. Afinal, qual era o sentido da pressão alta se o zagueiro poderia tocar para o goleiro? 

Isso tornou o jogo mais dinâmico e as marcações em bloco alto, como vemos nos grandes times como o Liverpool, Manchester City e Bayern, começaram a aparecer.

Contenção: dicas para executar com perfeição 

Agora que você sabe que é a contenção desde suas origens, vamos dar algumas dicas para melhorar o seu desempenho: 

1. Posicione o tronco para baixo 

Mecanicamente, o que nos ajuda a ter uma contenção mais efetiva? Uma dica é posicionar o tronco mais para baixo, o que confere rapidez e agilidade ao desarme. Faça um teste rápido: realize uma jogada com o tronco ereto e, depois, inclinado e mais próximo ao solo. Sinta a diferença no desempenho e avalie.  

2. Posição de expectativa

Se você estiver marcando alguém, deve manter-se alerta e em posição de expectativa para responder o mais rápido possível ao estímulo. Por isso, mantenha os joelhos semiflexionados e os pés sem contato total com o solo (ponta do pé). Isso auxilia na hora de reagir ao seu adversário. 

3. Condicione decisões

Uma das dicas para uma contenção bem executada é condicionar seu adversário a tomar algumas decisões. Por exemplo, ao marcá-lo posicione seu corpo, dando mais saída para a perna fraca do adversário ou até outras opções desde que não potencialize suas qualidades.

4.Analise seus adversários

Desde o primeiro momento de bola rolando, analise o seu adversário para condicioná-lo adequadamente nas decisões. Por exemplo, se você estivesse ao lado do Bruno Henrique, um jogador rápido, a melhor atitude seria influenciá-lo a ir pelo meio, já que é uma região com menos espaço para usar a velocidade ao seu favor. 

Caso seu adversário fosse mais lento, como o Riquelme, o corredor seria a melhor opção. Entendeu o espírito?

5.Poupe energia

Com todo esse contexto, é evidente de que pensar estrategicamente é muito importante. Não apenas para poupar energia como para direcionar corretamente as jogadas. 

Por exemplo, se o treinador e o time traçaram uma estratégia de iniciar pressão quando a bola alcançar o lateral, a melhor decisão é iniciar a corrida no momento em que o lateral recebe e domina ou no instante em que sai do pé do zagueiro? 

Seria mais inteligente iniciar a corrida na hora em que a bola é tocada. Diminui o tempo de resposta e reduz as chances de análise do adversário de onde seria melhor driblar ou dominar. 

Se a contenção acontece depois da bola ser dominada, aumenta consideravelmente a possibilidade do jogador executar a ação corretamente. 

Conclusão 

Nessa altura do campeonato, você já deve saber que a contenção serve para impedir a progressão do adversário, proteger a baliza e recuperar a posse da bola. 

Ou seja, de que é a pressão que o jogador faz para recuperar a bola do adversário, o ato de impedir que o adversário progrida em direção ao gol por meio de um passe ou um drible.

Também está por dentro de algumas dicas de como melhorar a contenção. Em resumo, esteja atento tanto ao seu  posicionamento corporal e espacial quanto dos seus companheiros no campo. Também fique de olho no adversário que está com a bola e nas possíveis linhas de passe. E desarme. 

Pratique na próxima oportunidade. E caso não consiga de primeira, não desanime. Afinal,  não é tão simples assim realizar uma jogada eficiente. Como tudo no futebol, é importante treino e disciplina. Boa sorte! 

*Escrito pelo time Joga com a colaboração dos profissionais João Vítor Wan-zuit e Guilherme Pereira do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento do Futebol e do Futsal – Universidade Federal de Santa Catarina (NUPEDEFF-UFSC) 

Referências bibliográficas:

Princípios Táticos do Jogo de Futebol: conceitos e aplicação. Rev. Motriz, Rio Claro, 2009.Teoldo da Costa, I. Garganta da Silva, JM. Greco, PJ. Mesquita, I.

 A pirâmide invertida: a história da tática no futebol. Jonathan Wilson, tradução André Kfouri – 1ª ed. – Campinas, SP; Editora Grande Área, 2016

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